
Sentei no sofá da sala de TV e pedi um "cowboy" para a minha esposa. Precisava de um momento de descanso, depois daquele dia, em que que tive que aguentar o mau hálito do meu chefe. Que na porta, não passa mais. Minha esposa, que provavelmente tinha ido buscar as crianças na aula de natação, esqueceu as sandálias no quarto. E se revoltou com a minha falta de percepção.
Meus filhos praticamente me esqueceram. Notei um ar de desprezo na secretária que reclamava do pagamento ao esperar pelo elevador. E notei também, que a síndica do prédio sentia alguma coisa por mim. Que era casado, pobre e cheio de filhos mal educados pela casa.E por isso não poderia lhe oferecer nada. Apesar de ser bonito, risos.
Sou um daqueles caras que casou porque sua mãe não o aguentava mais em casa. Tenho 35 anos e nunca fiz faculdade. Por isso, me submeto a trabalhos ridículos.
Fui gordo na adolescência e a minha diversão era bater nos meninos que "tiravam uma" da minha cara. Inventava namoradas que não existiam e passava vergonha pelas minha irmãs.
Meu pai, que agora vive caducando por ai, era meu melhor amigo. Me ensinou a lidar com as mulheres; a dirigir uma moto; a fazer churrasco e a fumar aquele cigarrinho de palha, que agora eu substitui.
Vivo em função de algo que não sei ainda e por isso culpo tudo a minha frustração.
Toco um violão desafinado a tarde e tiro fotos de atos despercebidos. Deixei de ir na academia para acompanhar o futebol americano que passa na TV á cabo. E troquei o meu vício do café por um whisky sem gelo toda noite...
Nenhum comentário:
Postar um comentário