Olhei para ele. Sorri, timidamente. E convidei ele para entrar, de um jeito discreto. Ele , olhando para baixo, entrou e sentou na bancada da cozinha. Servi a ele um pedaço de pudim de café, enquanto comentávamos sobre a mudança do clima. Rosemberg, meu bulldog francês, estava um pouco incomodado com a presença de Lucas na cozinha. Assistimos um documentário na TV á cabo e como algo automático, ele me deu um beijo. Simples e delicado. Beijo de adolescentes na puberdade. Beijo de quem tem medo de uma suposta rejeição. Um beijo. Que teve o imenso poder de fazer uma menina rebelde se apaixonar. E se entregar, a ponto de me fazer ter coragem para beijá lo também.
O momento não foi quente, muito menos sedutor. Foi um romance infantil, que particularmente eu adoro. Continuamos aquele programa de "amizade colorida" por mais ou menos umas duas horas. Ele, por novamente ser educado, pediu licença; beijou a minha mão e seguiu até o 412.
Já era tarde da noite quando ele saiu, e mesmo assim ainda fiquei sentada no sofá da sala de TV. Rosemberg e eu, na minha vida de morar sozinha. Fiquei pensando... já tive vários homens e mulheres na minha vida, mais nada que tivesse o jeito delicado de olhar e de sorrir de Lucas. Acho que é a primeira vez que eu percebo, que perco meu tempo me apaixonando pelos outros.
Com essa conclusão na cabeça, fui dormir com os latidos noturnos do meu bulldog francês.
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Acordei assustada, por causa do meu típico pesadelo de terça feira. Sentei na berada na cama e fiquei pensando sobre o meu sonho. Sonhei com o Caio, sonhei com a morte de Caio. Parecia um sinal. E eu tinha que vê lo. Já estava atrasada para o trabalho, me troquei e peguei dinheiro para o almoço. No caminho, passando pela Rua Sete, liguei para ele. Disse que queria vê lo hoje, por causa do meu sonho.
Marcamos de almoçar juntos no self service as onze e meia da manhã de hoje. Chegando no estúdio, já tinham duas pessoas me esperando e a Jack já estava entrando em estado terminal, de tanto nervoso.
Fiz os dois desenhos, que pela minha sorte eram simples, e esperei, fuçando nas redes sociais alheias, que eles voltassem. Já eram dez e meia e eles não chegavam. Minha mão suava de tanta ansiedade. Os minutos iam passando e para piorar a situação, estava formando tempo de chuva lá fora. Dez e cinquenta, onze horas, onze e quinze... e nada de chuva parar e nem de cliente chegar. Resolvi relaxar e ligar para desmarcar o almoço. Como num reflexo, quando peguei o celular o número dele apareceu como alguém ligando para mim. Atendi rapidamente e expliquei tudo o que havia acontecido. Ele, muito simpático, me convidou para ir até a casa dele hoje a noite. Disse que iria passar umas seis e trinta da tarde aqui no estúdio para me pegar. Eu poderia até negar a mim mesma, mas eu ainda sinto alguma coisa por ele. E sei que isso vai me atrapalhar, e muito.
Jack pediu um "marmitex" pelo telefone e esse foi o meu almoço. Meus clientes só foram chegar três horas da tarde, por causa da chuva. Saíram de lá umas cinco horas e depois disso, fui passar uma maquiagem e escovar os meus cabelos. Seis e quinze, Caio já havia chegado. Abriu a porta do seu novo carro, que eu não conhecia. Entrei, um pouco vergonhosa, e percebi que ele seguia em direção da zona sul. Chegando na porta de um hotel, ele parou o carro.
Perguntei para ele, se ele havia se mudado do bairro onde morava. Ele respondeu que sim e disse que preferia morar em um "Apart Hotel" do que naquela casa velha e cheia de umidade. Entrei em um hall luxuoso com um tênis sujo de barro. Não liguei, afinal ele estava pagando.
Perguntei para ele, se ele havia se mudado do bairro onde morava. Ele respondeu que sim e disse que preferia morar em um "Apart Hotel" do que naquela casa velha e cheia de umidade. Entrei em um hall luxuoso com um tênis sujo de barro. Não liguei, afinal ele estava pagando.
Continua..
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