segunda-feira, junho 20, 2011

O apartamento estreito da Rua Quatro.

Era fim de noite na Rua Quatro e eu estava andando sozinha de volta para o meu cubículo. Cheguei, peguei a chave debaixo do tapete e abri a porta lentamente. Liguei a TV e o âncora do jornal acabara de dizer boa noite. E eu como sempre, respondi. Ele dizia as notícias patéticas sobre aqueles projetos de ladrões que roubam boutiques. E no tédio no término do meu dia, ligo para o meu quase namorado e digo o quanto quero vê lo.
Amanhece o sábado e eu tomo um café com gosto de cafeteira. Queimo as torradas e esqueço de lavar o meu cabelo. Saio com a roupa da festa da semana passada e dou uma olhada na vitrine da livraria. Paro um pouco para reparar no milagre de um céu ensolarado deste mês de março. E na tristeza representada no rosto do vendedor de pipoca.
Desde pequena tenho uma extrema raiva de encontrar pessoas do meu passado na rua. Pior ainda quando ela quer conversar e saber da minha vida. Pois bem, encontrei uma menina quase mulher que completou o ensino primário comigo. Ela parece querer ser agradável, mas vejo nos olhos dela uma extrema frieza. seu nome, que na hora eu esqueci, é Rosa. Ela por ser o oposto de mim, sabia o meu nome e até o meu antigo endereço no centro. Rosa me convidou para tomarmos um drink no horário dela de Happy Hour e eu, para também parecer legal, aceitei o convite. Andei em direção a quitinete do meu irmão mais velho. Contei a minha semana para ele, comendo o Yakissoba do chinês da esquina. Briguei com ele por causa da desorganização do apartamento e ele repetiu, como quando era criança, que uma hora ele iria organizar. Voltei ao centro, fiz a compra do mês e pedi que o vizinho me ajudasse com as sacolas. Ele, como sempre querendo o meu bem, me ajudou até a guardar tudo. Gosto um tanto dele, pela sua simpatia e pelo jeito que ele pisca de um jeito vicioso. E ele gosta de mim, pelo simples fato de eu morar no mesmo andar que ele. Já me chamou para sair centenas de vezes e eu recusei, por causa do meu mau humor crônico. Mas como hoje eu acho que é um dia diferente do normal, eu mesma vou convidá lo, já que meu namorado não dá sinal de vida. O relógio marcava exatamente dezessete horas e quarenta e sete minutos e eu tinha que me arrumar para sair com a Rosa. Coloquei um vestido discreto e um sapato que eu não consigo andar direito. Passei novamente pela Rua Quatro e segui diretamente para aquele barzinho que tinha a cara Hippie da Rosa. Ela vestia uma saia estranha que batia os joelhos e uma blusa colada que mostrava o sutiã de renda. Pediu uma Piña Colada e eu uma cerveja long neck que a fiz esquentar, por não gostar de beber. Rosa me contou sobre a vida, sobre o seu trabalho em uma tabacaria e sobre o quanto se preservava para o amor. Depois contei sobre o meu emprego de tatuadora e sobre o meu namorado que sempre sumia. Dividimos a conta e ela foi comigo até em casa, disse que tinha um pouco de medo daquele lugar. Eu ignorei e dei um "tchau" um pouco desprezível para aquele ser estranho que fumava um cigarro de sabor. Depois desse fato um tanto quanto constrangedor, puxei os lençóis da minha cama e dormi.
Continua...

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