Tivemos conversas bem "lights". Falamos sobre a nossa infância, sobre o quanto ele gostava de música clássica e sobre o tempo que ele perdia pensando no que eu podia estar fazendo. Contei para ele sobre o meu aniversário de 15 anos fracassado e ele me contou sobre a época em que ele apanhava do seu irmão mais velho com um taco de beisebol. Rimos muito, trocamos contatos, idéias e quase choramos... quando comentamos sobre os nossos medos e traumas.
Lucas era um cara feio e bonito. Sabia sorrir mesmo sem saber pentear o cabelo. Era tímido mas sabia conversar direito. Gaguejava um pouco, mas sabia a hora certa de fazer e falar as coisas. Parecia que ele queria mesmo alguma coisa séria comigo.
Me levou até a porta de casa, fez um comentário infeliz sobre a rua em que moramos e pegou a chave debaixo do meu tapete. Se despediu com um aperto de mão e foi direto pro seu apartamento. Quando entrei em casa, imaginei mil possibilidades de uma cena típica de filme americano acontecer naquele momento, mas sonhar demais as vezes confunde a minha cabeça. Fui dormir pensando na forma dele piscar repetidamente, risos.
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Acordei antes do despertador com sono. Mas a cama não me queria mais. Lembrei que hoje eu tinha uma cliente, que por sinal era muito fresca, que queria conversar sobre o desenho que ela queria fazer. Coloquei um jeans e uma camiseta antiga que eu achei do Pink Floyd no meu guarda roupa. No caminho para o estúdio, compre um cappuccino no café da Rua Sete e dei uma tragada no cigarro do vendedor de jornais. Passei no meu irmão para falar que a conta de luz dele estava atrasada e quase fiquei presa no elevador. Tive que abrir o estúdio já que a Jack ainda nem tinha chegado. Enquanto a mulher não vinha, fui pesquisar alguns desenhos para minha próxima tatuagem. Achei de tudo, mas nada que representasse essa fase da minha vida. Então deixei isso para depois.
Eram dez e trinta e cinco da manhã quando a tal da mulher chegou. Escolheu aqueles desenhos femininos que eu já cansei de fazer e disse que voltaria depois de uma hora para o "serviço".
Almocei com a Jack, a dona da espelunca, em um rodízio de massas que ela mesmo pagou. Tava tudo muito bom, até eu ouvir milhões de reclamações daquela mulher que não sei porque queria tatuar uma flor na perna. Pelo menos a comissão pelo trabalho é boa.
O dia foi tranquilo e por isso decidi mudar o meu caminho para voltar pra casa. Peguei a Rua do Centro, passei na tabacaria onde a Rosa trabalha; fumei um cigarro de má qualidade; fui assediada por uns drogados que passavam por ali; entrei na Rua Quatro e parti para casa.
Pela minha felicidade, vi o Lucas novamente esperando alguém na porta do seu apartamento.
Continua...
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