Dormi como se fosse o meu último sono. E acordei como se fosse a minha primeira manhã. Levantei da cama fui até o banheiro e notei uma espinha extremamente grande e desagradável bem na ponta do meu queixo. Lavei o rosto, penteei o meu cabelo ondulado e escovei os dentes. Fui colocar o lixo pra fora e me encontrei com o Lucas, meu vizinho, que estava na porta de seu apartamento esperando alguém que eu ainda não descobri. Ele chegou até mim para dizer que havia aceito o meu convite para sair e me deu um beijo no rosto suspeito. Eu, como sempre, sorri de um jeito irônico e ao mesmo tempo desajeitado. Voltei para trás e eu senti que ele continuou me olhando. Pensei um pouco sobre o assunto mas o barulho da torradeira me distraiu. Então comi mais uma vez uma torrada queimada, só que dessa vez ouvindo as músicas de rock improvisado que passavam na rádio. Tomei aquele café e comi aquela maça bem vermelha. Coloquei o meu óculos de sol, peguei a minha bolsa e sai. Acredito que eram umas oito e quarenta e cinco da manhã e o meu relógio tinha acabado de quebrar. Dei alguns passos a frente, parei. Olhei pra cima. E vi aquele rosto mais do que perfeito, que eu sentia muita falta. Dei um "oi", como quem não queria dizer nada, e ele me respondeu com um abraço forte e um pouco falso. Em um tempo de quase um segundo, pensei comigo mesma, porque ele aparecera justo hoje? Hoje o dia que eu estava começando a gostar do Lucas. Senti também nesse pouco tempo, o quanto um toque de azar atrapalha. Respirei bem fundo e perguntei o que ele fazia ali, tão perto da minha casa. Segundo ele, com aquela voz que eu sempre achei um pouco estranha, disse que iria me visitar. Ri então, pela coincidência. Sentamos em um banco que estava disponível no calçadão e conversamos por uns 5 minutos. Conversamos até o toque intrigante do seu celular aparecer por ali. Acredito que era algo importante, para ele deixar a sua quase namorada ou ex falando sozinha. Apesar , também, do Caio ser sempre daquele jeito.
Aproveitei o tempo que ele estava no telefone, para sair "à francesa" daquela multidão e não ter que dar uma desculpa esfarrapada. Nesse dia, almocei sozinha; caminhei no parque sozinha; comprei um sorvete de frutas vermelhas sozinha; passei pela Rua Quatro sozinha; voltei para casa sozinha...
E nesse tempo, o Caio não ligou. Nem sequer para saber o porque da minha saída sem motivos.
Porém a minha cabeça estava somente no apartamento ao lado. E por isso, me arrumei como uma menina normal e esperei ele tocar a minha campainha. Que se eu não me engano, está com um defeito. Aquele de homem concertar sabe? Pois é, moro sozinha.
Continua...
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