sábado, junho 25, 2011

O apartamento estreito da Rua Quatro V

Na minha cabeça, Caio tinha mudado de vida. Talvez ele tivesse arranjado um emprego em uma multinacional ou simplesmente abriu um restaurante para granfinos. Ou talvez, quem sabe, anda importando tranqueiras do Paraguai. Subi em um elevador com espelhos e "caras de paisagem". O elevador saia já dentro do quarto, que era também a sua casa. Fiz cara de quem já conhecia aquele mundinho esnobe. Sentei no sofá da sala de visita e fiquei observando a quantidade de coisas no estilo daqueles "show rooms" do shopping do meu bairro.
Uma mulher uniformizada veio me oferecer um café. Obviamente, eu aceitei.
Caio veio logo em seguida com uma roupa mais esportiva. Pegou a minha xícara e trocou por uma taça de vinho tinto. Aquele ambiente merecia uma mulher fina e delicada, que não é o meu caso. Mas, enfim... alguma coisa ele queria. E estava me agradando.
Caio começou com um assunto sobre trabalho. Disse que tinha virado sócio do dono de uma microempresa que deu certo. E eu disse que estava ainda naquele mesmo estúdio sujo de tatuagens e body piercing. Continuou falando de um jeito desagradável sobre aonde morava antes e logo seguiu dizendo que eu merecia coisa melhor também. Merecer eu até posso, mas e querer?
Enfim, o assunto estava completamente entediante, e eu não conseguia entender muitas coisas.
A mulher uniformizada nos chamou para o jantar. Nos sentamos. Achei estranho a quantidade de cadeiras que existem em volta daquela mesa, já que Caio mora sozinho. Na mesa havia travessas de saladas, um arroz com legumes, um caldo de cor verde e uma carne desconhecida.
A mulher, que Caio chamava de Maria, serviu nos a salada. Somente a salada. Como não sou daquele mundo, fiquei observando tudo o que Caio fazia. Até que a idéia foi boa. Pelo menos não passei vergonha perto da Maria, risos.
Já não aguentava mais de sono quando Caio sugeriu um barzinho para nos distrairmos e eu recusei o convite para contar a ele sobre o motivo principal da minha visita. Sentamos novamente na sala e eu contei todo o meu sonho pra ele. Por um momento senti que ele não havia prestado muita atenção, mas depois fez uma cara de assustado que foi convincente. Nisso, ele pegou a minha mão, olho no fundo dos meus olhos e disse que o que aconteceu com a gente no mês passado foi somente atração e que ele nunca havia sentido nada por mim. Somente me achava legal para sermos amigos. Disse que tinha medo de dizer isso pra mim, por isso desviava as vezes do meu caminho e aproveitou essa ocasião para dizer o que nele estava tão engasgado. Eu respondi a ele que estava tudo bem, que eu sentia sim alguma coisa por ele, mas que já passou e que eu estou agora com outra pessoa. Ele me deu um abraço e pelo toque de suas mãos senti um certo alívio. Chamei um táxi, nos despedimos e eu segui em direção a Rua Quatro.
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Acordei na manhã dessa quarta feira chuvosa e tomei um belo de um banho. Arrumei o meu cabelo e coloquei uma roupa decente. Tomei um suco de laranja e comi um pão de queijo que misteriosamente apareceu no meu forno. Achei o meu mp4 que eu havia perdido, coloquei o fone de ouvido e segui direto ao trabalho, ao som de Axl Rose no seu melhor estilo. Detalhe para o meu guarda chuva que quebrou na Rua de casa e eu tive que ir correndo pela Rua do Centro, sem pegar o meu cigarro.
Entrei no estúdio toda molhada e a Jack deu risada de mim. Sentei no balcão e já tinha alguns desenhos para fazer. A preguiça dessa vez tinha tomado literalmente conta de mim e eu havia terminado aqueles desenhos somente depois do almoço. Aliás, almocei na padaria que inaugurou semana passada e particularmente não gostei muito da comida. Terminei o meu serviço e pedi um guarda chuva emprestado pra Jack, para eu poder ir embora seca.
Segui, não sei porque, pela Rua do Centro novamente. Fiquei sem fumar o dia inteiro e tive que pagar mais caro por aquele maço que vendia na tabacaria da Rosa. Já era um pouco tarde e ela nem estava lá.
Continuei o caminho fumando um cigarro e em um momento meu de distração, dei de cara com o Lucas saindo de uma loja de instrumentos musicais. Ele sorriu pra mim e me comprimentou com um beijo no rosto. Fomos até em casa juntos, conversando sobre a mudança do clima. A Rua Quatro de quarta feira é mais movimentada, por causa do culto da igreja evangélica que tinha na esquina com a Rua Cinco. Entramos no apartamento, subimos de escada porque a luz tinha acabado e chegamos até o terceiro andar. A minha intenção era dar um "tchauzinho" básico e entrar rapidamente pra dentro de casa. Mas, Lucas me puxou e me deu um beijo. Aquele beijo. Não conseguíamos parar de se beijar e quase entramos no apartamento dele. Mas, eu estava muito cansada e por mais que o meu corpo quisesse aquilo, a minha cabeça queria dormir e eu tive que ir pro meu apartamento. Me despedi com mais um beijo e fui dormir com um sorriso automático de menina apaixonada.
Continua ...

quarta-feira, junho 22, 2011

O apartamento estreito da Rua Quatro IV

Olhei para ele. Sorri, timidamente. E convidei ele para entrar, de um jeito discreto. Ele , olhando para baixo, entrou e sentou na bancada da cozinha. Servi a ele um pedaço de pudim de café, enquanto comentávamos sobre a mudança do clima. Rosemberg, meu bulldog francês, estava um pouco incomodado com a presença de Lucas na cozinha. Assistimos um documentário na TV á cabo e como algo automático, ele me deu um beijo. Simples e delicado. Beijo de adolescentes na puberdade. Beijo de quem tem medo de uma suposta rejeição. Um beijo. Que teve o imenso poder de fazer uma menina rebelde se apaixonar. E se entregar, a ponto de me fazer ter coragem para beijá lo também.
O momento não foi quente, muito menos sedutor. Foi um romance infantil, que particularmente eu adoro. Continuamos aquele programa de "amizade colorida" por mais ou menos umas duas horas. Ele, por novamente ser educado, pediu licença; beijou a minha mão e seguiu até o 412.
Já era tarde da noite quando ele saiu, e mesmo assim ainda fiquei sentada no sofá da sala de TV. Rosemberg e eu, na minha vida de morar sozinha. Fiquei pensando... já tive vários homens e mulheres na minha vida, mais nada que tivesse o jeito delicado de olhar e de sorrir de Lucas. Acho que é a primeira vez que eu percebo, que perco meu tempo me apaixonando pelos outros.
Com essa conclusão na cabeça, fui dormir com os latidos noturnos do meu bulldog francês.
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Acordei assustada, por causa do meu típico pesadelo de terça feira. Sentei na berada na cama e fiquei pensando sobre o meu sonho. Sonhei com o Caio, sonhei com a morte de Caio. Parecia um sinal. E eu tinha que vê lo. Já estava atrasada para o trabalho, me troquei e peguei dinheiro para o almoço. No caminho, passando pela Rua Sete, liguei para ele. Disse que queria vê lo hoje, por causa do meu sonho.
Marcamos de almoçar juntos no self service as onze e meia da manhã de hoje. Chegando no estúdio, já tinham duas pessoas me esperando e a Jack já estava entrando em estado terminal, de tanto nervoso.
Fiz os dois desenhos, que pela minha sorte eram simples, e esperei, fuçando nas redes sociais alheias, que eles voltassem. Já eram dez e meia e eles não chegavam. Minha mão suava de tanta ansiedade. Os minutos iam passando e para piorar a situação, estava formando tempo de chuva lá fora. Dez e cinquenta, onze horas, onze e quinze... e nada de chuva parar e nem de cliente chegar. Resolvi relaxar e ligar para desmarcar o almoço. Como num reflexo, quando peguei o celular o número dele apareceu como alguém ligando para mim. Atendi rapidamente e expliquei tudo o que havia acontecido. Ele, muito simpático, me convidou para ir até a casa dele hoje a noite. Disse que iria passar umas seis e trinta da tarde aqui no estúdio para me pegar. Eu poderia até negar a mim mesma, mas eu ainda sinto alguma coisa por ele. E sei que isso vai me atrapalhar, e muito.
Jack pediu um "marmitex" pelo telefone e esse foi o meu almoço. Meus clientes só foram chegar três horas da tarde, por causa da chuva. Saíram de lá umas cinco horas e depois disso, fui passar uma maquiagem e escovar os meus cabelos. Seis e quinze, Caio já havia chegado. Abriu a porta do seu novo carro, que eu não conhecia. Entrei, um pouco vergonhosa, e percebi que ele seguia em direção da zona sul. Chegando na porta de um hotel, ele parou o carro.
Perguntei para ele, se ele havia se mudado do bairro onde morava. Ele respondeu que sim e disse que preferia morar em um "Apart Hotel" do que naquela casa velha e cheia de umidade. Entrei em um hall luxuoso com um tênis sujo de barro. Não liguei, afinal ele estava pagando.
Continua..

terça-feira, junho 21, 2011

O apartamento estreito da Rua Quatro. III

E por isso esse defeito vai ficar aí por enquanto. Esperei uns 20 minutos assistindo um programa sensacionalista. E assim que terminei de beber um copo de água ouvi ele gritando "Camila" repetidas vezes. Fazia tempo que eu não ouvia alguém me chamar, sem ser pelo apelido.E me deu uma felicidade tão boa, não consigo explicar direito. Abri a porta e ele sentou no meu sofá. Ofereci um café ele, por ser educado, não aceitou. Saímos com o mini carro dele até aquela pizzaria escondida no final da cidade. A sugestão foi minha, claro, e por isso ele estranhou um pouco no começo. Com o tempo, ele foi se acostumando a comer pizza de espinafre em um ambiente escuro e vazio.
Tivemos conversas bem "lights". Falamos sobre a nossa infância, sobre o quanto ele gostava de música clássica e sobre o tempo que ele perdia pensando no que eu podia estar fazendo. Contei para ele sobre o meu aniversário de 15 anos fracassado e ele me contou sobre a época em que ele apanhava do seu irmão mais velho com um taco de beisebol. Rimos muito, trocamos contatos, idéias e quase choramos... quando comentamos sobre os nossos medos e traumas.
Lucas era um cara feio e bonito. Sabia sorrir mesmo sem saber pentear o cabelo. Era tímido mas sabia conversar direito. Gaguejava um pouco, mas sabia a hora certa de fazer e falar as coisas. Parecia que ele queria mesmo alguma coisa séria comigo.
Me levou até a porta de casa, fez um comentário infeliz sobre a rua em que moramos e pegou a chave debaixo do meu tapete. Se despediu com um aperto de mão e foi direto pro seu apartamento. Quando entrei em casa, imaginei mil possibilidades de uma cena típica de filme americano acontecer naquele momento, mas sonhar demais as vezes confunde a minha cabeça. Fui dormir pensando na forma dele piscar repetidamente, risos.
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Acordei antes do despertador com sono. Mas a cama não me queria mais. Lembrei que hoje eu tinha uma cliente, que por sinal era muito fresca, que queria conversar sobre o desenho que ela queria fazer. Coloquei um jeans e uma camiseta antiga que eu achei do Pink Floyd no meu guarda roupa. No caminho para o estúdio, compre um cappuccino no café da Rua Sete e dei uma tragada no cigarro do vendedor de jornais. Passei no meu irmão para falar que a conta de luz dele estava atrasada e quase fiquei presa no elevador. Tive que abrir o estúdio já que a Jack ainda nem tinha chegado. Enquanto a mulher não vinha, fui pesquisar alguns desenhos para minha próxima tatuagem. Achei de tudo, mas nada que representasse essa fase da minha vida. Então deixei isso para depois.
Eram dez e trinta e cinco da manhã quando a tal da mulher chegou. Escolheu aqueles desenhos femininos que eu já cansei de fazer e disse que voltaria depois de uma hora para o "serviço".
Almocei com a Jack, a dona da espelunca, em um rodízio de massas que ela mesmo pagou. Tava tudo muito bom, até eu ouvir milhões de reclamações daquela mulher que não sei porque queria tatuar uma flor na perna. Pelo menos a comissão pelo trabalho é boa.
O dia foi tranquilo e por isso decidi mudar o meu caminho para voltar pra casa. Peguei a Rua do Centro, passei na tabacaria onde a Rosa trabalha; fumei um cigarro de má qualidade; fui assediada por uns drogados que passavam por ali; entrei na Rua Quatro e parti para casa.
Pela minha felicidade, vi o Lucas novamente esperando alguém na porta do seu apartamento.
Continua...













O apartamento estreito da Rua Quatro. II

Dormi como se fosse o meu último sono. E acordei como se fosse a minha primeira manhã. Levantei da cama fui até o banheiro e notei uma espinha extremamente grande e desagradável bem na ponta do meu queixo. Lavei o rosto, penteei o meu cabelo ondulado e escovei os dentes. Fui colocar o lixo pra fora e me encontrei com o Lucas, meu vizinho, que estava na porta de seu apartamento esperando alguém que eu ainda não descobri. Ele chegou até mim para dizer que havia aceito o meu convite para sair e me deu um beijo no rosto suspeito. Eu, como sempre, sorri de um jeito irônico e ao mesmo tempo desajeitado. Voltei para trás e eu senti que ele continuou me olhando. Pensei um pouco sobre o assunto mas o barulho da torradeira me distraiu. Então comi mais uma vez uma torrada queimada, só que dessa vez ouvindo as músicas de rock improvisado que passavam na rádio. Tomei aquele café e comi aquela maça bem vermelha. Coloquei o meu óculos de sol, peguei a minha bolsa e sai. Acredito que eram umas oito e quarenta e cinco da manhã e o meu relógio tinha acabado de quebrar. Dei alguns passos a frente, parei. Olhei pra cima. E vi aquele rosto mais do que perfeito, que eu sentia muita falta. Dei um "oi", como quem não queria dizer nada, e ele me respondeu com um abraço forte e um pouco falso. Em um tempo de quase um segundo, pensei comigo mesma, porque ele aparecera justo hoje? Hoje o dia que eu estava começando a gostar do Lucas. Senti também nesse pouco tempo, o quanto um toque de azar atrapalha. Respirei bem fundo e perguntei o que ele fazia ali, tão perto da minha casa. Segundo ele, com aquela voz que eu sempre achei um pouco estranha, disse que iria me visitar. Ri então, pela coincidência. Sentamos em um banco que estava disponível no calçadão e conversamos por uns 5 minutos. Conversamos até o toque intrigante do seu celular aparecer por ali. Acredito que era algo importante, para ele deixar a sua quase namorada ou ex falando sozinha. Apesar , também, do Caio ser sempre daquele jeito.
Aproveitei o tempo que ele estava no telefone, para sair "à francesa" daquela multidão e não ter que dar uma desculpa esfarrapada. Nesse dia, almocei sozinha; caminhei no parque sozinha; comprei um sorvete de frutas vermelhas sozinha; passei pela Rua Quatro sozinha; voltei para casa sozinha...
E nesse tempo, o Caio não ligou. Nem sequer para saber o porque da minha saída sem motivos.
Porém a minha cabeça estava somente no apartamento ao lado. E por isso, me arrumei como uma menina normal e esperei ele tocar a minha campainha. Que se eu não me engano, está com um defeito. Aquele de homem concertar sabe? Pois é, moro sozinha.
Continua...

segunda-feira, junho 20, 2011

O apartamento estreito da Rua Quatro.

Era fim de noite na Rua Quatro e eu estava andando sozinha de volta para o meu cubículo. Cheguei, peguei a chave debaixo do tapete e abri a porta lentamente. Liguei a TV e o âncora do jornal acabara de dizer boa noite. E eu como sempre, respondi. Ele dizia as notícias patéticas sobre aqueles projetos de ladrões que roubam boutiques. E no tédio no término do meu dia, ligo para o meu quase namorado e digo o quanto quero vê lo.
Amanhece o sábado e eu tomo um café com gosto de cafeteira. Queimo as torradas e esqueço de lavar o meu cabelo. Saio com a roupa da festa da semana passada e dou uma olhada na vitrine da livraria. Paro um pouco para reparar no milagre de um céu ensolarado deste mês de março. E na tristeza representada no rosto do vendedor de pipoca.
Desde pequena tenho uma extrema raiva de encontrar pessoas do meu passado na rua. Pior ainda quando ela quer conversar e saber da minha vida. Pois bem, encontrei uma menina quase mulher que completou o ensino primário comigo. Ela parece querer ser agradável, mas vejo nos olhos dela uma extrema frieza. seu nome, que na hora eu esqueci, é Rosa. Ela por ser o oposto de mim, sabia o meu nome e até o meu antigo endereço no centro. Rosa me convidou para tomarmos um drink no horário dela de Happy Hour e eu, para também parecer legal, aceitei o convite. Andei em direção a quitinete do meu irmão mais velho. Contei a minha semana para ele, comendo o Yakissoba do chinês da esquina. Briguei com ele por causa da desorganização do apartamento e ele repetiu, como quando era criança, que uma hora ele iria organizar. Voltei ao centro, fiz a compra do mês e pedi que o vizinho me ajudasse com as sacolas. Ele, como sempre querendo o meu bem, me ajudou até a guardar tudo. Gosto um tanto dele, pela sua simpatia e pelo jeito que ele pisca de um jeito vicioso. E ele gosta de mim, pelo simples fato de eu morar no mesmo andar que ele. Já me chamou para sair centenas de vezes e eu recusei, por causa do meu mau humor crônico. Mas como hoje eu acho que é um dia diferente do normal, eu mesma vou convidá lo, já que meu namorado não dá sinal de vida. O relógio marcava exatamente dezessete horas e quarenta e sete minutos e eu tinha que me arrumar para sair com a Rosa. Coloquei um vestido discreto e um sapato que eu não consigo andar direito. Passei novamente pela Rua Quatro e segui diretamente para aquele barzinho que tinha a cara Hippie da Rosa. Ela vestia uma saia estranha que batia os joelhos e uma blusa colada que mostrava o sutiã de renda. Pediu uma Piña Colada e eu uma cerveja long neck que a fiz esquentar, por não gostar de beber. Rosa me contou sobre a vida, sobre o seu trabalho em uma tabacaria e sobre o quanto se preservava para o amor. Depois contei sobre o meu emprego de tatuadora e sobre o meu namorado que sempre sumia. Dividimos a conta e ela foi comigo até em casa, disse que tinha um pouco de medo daquele lugar. Eu ignorei e dei um "tchau" um pouco desprezível para aquele ser estranho que fumava um cigarro de sabor. Depois desse fato um tanto quanto constrangedor, puxei os lençóis da minha cama e dormi.
Continua...

Pensamentos de uma frustração masculina.


Sentei no sofá da sala de TV e pedi um "cowboy" para a minha esposa. Precisava de um momento de descanso, depois daquele dia, em que que tive que aguentar o mau hálito do meu chefe. Que na porta, não passa mais. Minha esposa, que provavelmente tinha ido buscar as crianças na aula de natação, esqueceu as sandálias no quarto. E se revoltou com a minha falta de percepção.
Meus filhos praticamente me esqueceram. Notei um ar de desprezo na secretária que reclamava do pagamento ao esperar pelo elevador. E notei também, que a síndica do prédio sentia alguma coisa por mim. Que era casado, pobre e cheio de filhos mal educados pela casa.E por isso não poderia lhe oferecer nada. Apesar de ser bonito, risos.
Sou um daqueles caras que casou porque sua mãe não o aguentava mais em casa. Tenho 35 anos e nunca fiz faculdade. Por isso, me submeto a trabalhos ridículos.
Fui gordo na adolescência e a minha diversão era bater nos meninos que "tiravam uma" da minha cara. Inventava namoradas que não existiam e passava vergonha pelas minha irmãs.
Meu pai, que agora vive caducando por ai, era meu melhor amigo. Me ensinou a lidar com as mulheres; a dirigir uma moto; a fazer churrasco e a fumar aquele cigarrinho de palha, que agora eu substitui.
Vivo em função de algo que não sei ainda e por isso culpo tudo a minha frustração.
Toco um violão desafinado a tarde e tiro fotos de atos despercebidos. Deixei de ir na academia para acompanhar o futebol americano que passa na TV á cabo. E troquei o meu vício do café por um whisky sem gelo toda noite...

quinta-feira, junho 16, 2011

Só querendo.


A minha vontade era passar uma tarde com você, comer besteiras e rir do jeito como o mundo interpreta os nossos gostos.
Queria fazer com que essa tarde seja aquela em que iriamos analisar a crítica boa e o elogio comum. Aquela em que você iria olhar pra mim e dizer o quanto eu fico estranha sentada no chão. E o quanto eu fico bonita quando estou com vergonha de você. Aquela que eu iria criticar o seu cabelo e arrumar a sua blusa que estaria levantada. Aquela que observaríamos o contraste entre o pôr do sol e a árvore sem folhas, por causa do outono. E que você comentaria sobre o quanto aquele momento e aquele ambiente merecia uma foto. E se morderia de raiva ao saber que eu havia trazido a sua câmera e que eu tinha mexido na sua mochila.
Você iria me levantar e iria dizer o quanto eu sou baixa em relação ao seu tamanho. Você iria me levar pra casa e reclamar da distância em que ela é da sua. E assim que eu entrasse em casa, iria me ligar e dizer que estaria feliz. Por saber que iria me ver no outro dia, pra dizer que me ama. Que ama mais do que o sorvete de morango que eu havia comprado no dia anterior. Mais do que ter certeza do meu sorriso óbvio de canto de boca que eu daria ao ouvir a sua voz, rouca como sempre. E colocaria aquela música que eu particularmente acho ridícula, para terminar esse dia. O dia que eu descobriria o quanto você poderia estar mais perto de mim quanto eu imaginava.

Olha aqui.


Antes disso, eu tinha idéias. Tinha noção do que eu ia falar. Sabia a hora certa de fazer as coisas. Tomava minhas próprias decisões, e não era influenciada por ninguém.
Agora, faço com que as pessoas sejam como o que eu era antes.
Disso.

Ainda acho que to perdendo tempo.


Andei pensando sobre quanto o tempo está passando e eu ainda estou levando essa minha vida de rotina. Estava a cinco minutos ocupada com os serviços diários e agora já estou aqui. Como se 1 hora passasse a ser 1 segundo. E tudo que é bom passasse muito depressa.
Não aguento mais ver as horas e os dias se passando..
É como uma sala de espera para uma pena de morte.
E que a cada dia você está perto do fim, difícil de explicar.

Nos meus conselhos estou resumindo tudo em aproveitar a vida. Aproveitar os poucos momentos que você pode fazer o que gosta, o que quer. Dar um sorriso, fazer as pessoas sorrirem. Isso é aproveitar o seu momento. A sua vida.
Não perca seu tempo pensando em quem não pensa em você. Não chore, é perda de tempo.
Não faça mais nada sem motivo. Sei lá, viva. Como se fosse a última coisa que você pudesse fazer.

segunda-feira, junho 13, 2011

Mas poxa vida.


Para agora e presta atenção em mim.
Essa coisa minha de gostar, é passageira, eu chorei a 5 minutos e agora a pessoa não tem mais importância.
Eu amei e agora tá igual.
Eu chorei e agora tá normal.
Entenda, eu sou difícil.
Na verdade, só exponho o que eu os outros tem vontade de mostrar.
E isso não é tão simples como parece.
Não é tão fácil quanto podia ser.
Mas eu sou e isso não tem escolha.

Vou gostar sim. Vou amar sim. Vou falar sim.
Afinal, o que me impede de sair do mundo dos iguais ?
De fazer e ser quem eu quero?
Poxa.

Oi, sou eu.




Andei me auto analisando no dia de hoje :
CANSADA - GELADA - MAL HUMORADA.
Cansada como aquele que trabalha e não descansa, gelada como a pele de quem se assusta e mal humorada como aquele que quer se diferente maltratando os outros.

domingo, junho 05, 2011

O seu pior pesadelo.


Cansei dessa mesmice, dessa enrolação. Cansei de esperar, de ficar quieta no meu canto.
Tenho vontade de chegar e falar o que eu penso, de jogar as minhas frustrações na sua cara. De acabar com tudo. A minha coragem coragem momentânea pode chegar até quando eu menos espero, e talvez você não esteja lá. assim eu vou perdendo mais uma oportunidade, de muitas que já perdi. Queria descontar todas as minhas culpas em você. Queria ver seu sofrimento aos poucos. Exatamente como você fez comigo. Queria você aos meus pés, implorando um falso perdão.
Sem se impor, sem ter autoridade. Estando somente abaixo da minha falta de educação, que você mesmo construiu. E que se transformou na minha personalidade, que por coincidência, é o seu pior pesadelo.