sexta-feira, julho 22, 2011

O apartamento estreito da Rua Quatro VI

Quinta feira definitivamente é o melhor dia. Metade da semana já passou, está perto de chegar o sábado e é o meu dia de folga. Desativei o meu despertador e acordei lá pelas onze. Desisti de tomar café para preparar um delicioso almoço para mim e para o Lucas. Abusei dos meus conhecimentos culinários e com muito tempero e muita boa vontade, eu fiz minha maior especialidade: Filé de Frango ao molho de Espinafre. Interfonei no 412 e levei o Lucas até em casa. Como de costume, Rosemberg mordeu os seus pés e latiu até cansar. Servi o almoço e fiquei com medo, caso ele não gostasse do sabor da minha comida. Nos sentamos na minha mesa redonda da cozinha e conversamos sobre como estão sendo os nossos dias. Conheço o Lucas desde que eu deixei de morar com o meu irmão e nunca vi ele saindo de casa para trabalhar. E nunca também tinha perguntado isso pra ele. Mas enfim, eu perguntei. E fui esclarecida. Ele diz que é um WebDesign, aqueles que ganham dinheiro criando sites e outra coisa por ai. E por isso ele passa quase todo o tempo da sua vida inteira no terceiro andar desse apartamento estreito. E ele também havia me perguntado sobre o meu trabalho. Conversamos sobre a nossa situação financeira, sobre o nosso salário e sobre a nossa família. Ele me contou que nasceu do outro lado da cidade e que mudou pra cá porque fugiu de casa. Disse que seus pais haviam se separado quando ele ainda era criança e que seu padrasto maltratava sua mãe. Um dia, depois que sua mãe havia morrido de infarto, ele resolveu pegar a sua irmã mais nova e vim morar do lado de cá. Ainda bem que ele tinha uma tia avó que morava por aqui, assim ele deixaria a sua irmã pára ela criar. E ele daria um jeito na sua vida. Passado muito tempo juntando dinheiro trabalhando de caixa em um mercado e morando em uma pensão, ele decidiu comprar esse apartamento. E agora vive como um WebDesign de sites para pequenas empresas. Aproveitei a conversa para contar como eu vim parar aqui também. Disse a ele que sempre morei por aqui, só que um pouco pra lá da Rua Doze. Contei que tenho um irmão mais velho que mora em uma quitinete na Rua Cinco e que sai de casa com 19 anos, por causa da minha primeira tatuagem. Minha mãe não gostou muito da idéia e disse com isso eu já poderia morar sozinha. Mas, ela continuou pagando a minha faculdade de Enfermagem e até que eu conseguisse um emprego, ela ia pagando as contas do apartamento. Consegui um emprego em uma loja de roupas, furei o meu sonhado piercing no septo (que agora não tenho mais) e fiz um curso de tatuagem escondido. Como o curso era bom, consegui o emprego no estúdio fácil e agora ganho um salário razoável. A minha infância foi bem tranquila, só a minha mãe que sofreu um pouco pelo jeito de ser. Que por sinal era o contrário do que ela queria.
Enfim, continuamos com esses assuntos meio sérios de passado até terminarmos de comer toda a minha comida. Lucas elogiou o frango e disse que quer repetir a dose. comentou muito sobre o cheiro de Lavanda que tinha na minha casa e sobre a forma desorganizada elegante que eu arrumo ela. Sentamos no sofá, depois de lavarmos a louça juntos, e assistimos a novela das três horas. Estávamos bem tranquilos e não houve beijos melosos e demorados. Ficamos somente nos carinhos e nas conversas mais sérias. Eu estava tão cansada que acabei dormindo no ombro dele e perdi a hora. Acordei eram praticamente seis e trinta da tarde, e ele já havia preparado um café, que fez questão de levar até o sofá pra mim. Me deu um beijo doce e tomou café junto comigo. Notei que depois que começamos a "ficar" ele nunca mais piscou repetidamente e nuca mais gaguejou para falar comigo. Bom sinal. Muito bom.
Sinto que o que estamos tendo é por enquanto apenas um romance adolescentes. Só falta ele me levar no cinema e pedir a minha mão pro pai em namoro. Tenho certeza que se ele fizesse isso meu pai ia rir da cara. Então, é melhor eu ficar quieta.
Passamos o resto da noite dando risadinhas românticas e vendo TV até o momento em que ele me puxou e eu vi o seu instinto masculino surgir naquele momento. Demos uns belos de uns amassos no sofá, eu levei ele pro meu quarto e tivemos uma noite linda.

quarta-feira, julho 20, 2011

Quem sabe...


Quem sabe, nesta tarde, a tinta do meu cabelo saia e eu perca a fama de menina cruel e difícil.
Quem sabe, na hora em que você chegar, as minhas mãos tremam e eu não consiga olhar dentro dos teus olhos.
Quem sabe, na hora do beijo, eu vire o rosto e me arrependa.
Quem sabe, quando eu precisar falar a timidez entre em ação.
Quem sabe, eu minta.
Te engane, te iluda.
Quem sabe, quando você brigar comigo eu faça o que você quer.
E que talvez eu seja a menina submissa que eu nunca fui.
Quem sabe eu mude o meu estilo, jogue fora as minhas roupas e prenda o meu cabelo.
Ou não, quem sabe.
Quem sabe, eu rouba a cena e tire você de perto de mim.
Quem sabe, eu deixe de ser quem eu sou.
E me destrua.

sábado, julho 02, 2011

Eu não estou sendo a Marina de antes.


Acho que eu vou me apaixonar de novo. Deixar o meu coração bater forte de novo.
Acho que eu vou voltar para a rotina, acho que eu vou ficar bobinha de novo.
Ser eu mesma, ser idiota.. enfim.
Quero um amor e não vários.
Quero você e agora eu percebi as besteiras que eu estava fazendo.
Quero só você.
Pra estar aqui, aqui comigo.
Como era antes.
Eu não conheço o amor, então tudo isso pode ser besteira..
Mas eu me conheço, e sei o que eu quero.
Quero você de volta pra mim, quero me apaixonar novamente.
Quero ser feliz realmente, e não nas costas dos outros.
Quero os meus próprios conselhos a mim mesma.
Quero um amigo e não colegas.
Quero a minha vida do ano passado, quero ser eu mesma.
Parar com essa arrogância.
Quero minha família de volta, minha amiga de volta.
Pois é, olha a desgraça que eu acabei fazendo ao redor de mim.
Tudo vai mudar, o meu valor também.